| Dom Pedro I - Isso, de certo, nenhum brasileiro ignora, mas como a finalidade deste livro é fixar o momento histórico das grandes frases de figuras ilustres do nosso passado e de atos decisivos para a vida da nacionalidade, não seria lícito suprimir do texto desta obra essas palavras que marcaram o dia memorável em que foi proclamada a nossa independência política. D.Pedro, príncipe regente do Brasil, aqui deixado por seu pai, D. João VI, ao regressar a Portugal como já vimos no capítulo referente ao “Fico”, era brasileiro pelo sentimento e comungava nos ideais nacionalistas que agitavam o Reino e faziam vibrar todos os brasileiros, desejosos de ver a sua terra constituir uma pátria livre, uma nação soberana. Após uma série de atos, que revelavam a sua insubmissão à vontade paterna e o desejo de emancipar o Brasil da tutela portuguesa, D. Pedro I, a instâncias do Ministério, reunido no Rio, e de sua esposa, a princesa D. Leopoldina, ante as notícias inquietantes vindas de Lisboa, resolveu proclamar a independência, gritando, a 7 de setembro de 1822, na colina do Ipiranga, em São Paulo, à escolta que o acompanhava:
—Independência ou morte!
Estava proclamada a independência. Mas não se pense que a independência ficou assinalada na nossa história por esse episódio apenas. Não. Foi selada com sangue, depois de uma luta prolongada, em que os brasileiros se bateram valorosamente contra as tropas portuguesas que ocupavam a Baía, sob o comando do general Madeira, e contra os focos recalcitrantes do Maranhão e do Pará, que não queriam reconhecer a autoridade de D. Pedro como Imperador, guardando fidelidade a Portugal. Graças à ação da esquadra imperial, sob o comando do almirante Thomas Cochrane, a que D. Pedro deu o título de marquês do Maranhão, esses focos de rebeldia foram submetidos e o Brasil inteiro, de Norte a Sul, pôde então orgulhar-se de ser uma Pátria livre, como ainda hoje o é. E todos os brasileiros sentem quanto a frase de Pedro I tem ainda hoje o mesmo valor, pois é preferível a morte a viver um povo sem a sua independência, sem a sua liberdade, sem a sua soberania total, que é o maior bem de que podem gozar os povos. |